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Saúde, bem-estar e um projeto de vida longa Copy

E como vai ser aos 100 anos? Não sei. Mas farei o que puder para lá chegar o melhor possível. A perspetiva de uma vida longa encanta-me, dá-me imaginação e tempo para viver uma vida cheia de vida e a dar o melhor de mim.

 Hoje, um tema que adoro – saúde, bem-estar e um projeto de vida longa. É claro que isto tem muito a ver comigo, como tudo o que escrevo, mas o meu ponto, e sabendo naturalmente que posso morrer amanhã, é que quero estar na vida como se fosse viver 100 anos. Essa perspetiva encanta-me, dá-me imaginação e tempo, além de que gosto muito dos cuidados que procuro ter diariamente para este projeto de vida que quero positivo e cheio de energia.

Mas o tema é maior e vai bem além de mim. Com os avanços científicos e tecnológicos, a longevidade tem vindo a aumentar, a maioria das pessoas das regiões mais desenvolvidas tende a viver 100 anos ou mais, e só nós na WIN World, nos últimos 4 anos, já fizemos duas conferências sobre a vida com 100 anos. E porquê? Porque esta vida longa, nos dias de hoje, convoca-nos a todos para novas perspetivas, atitudes, princípios e práticas, nas mais variadas dimensões da nossa vida – desde a saúde, claro, ao amor, família, amigos, carreira, desporto, finanças ou negócios, para mencionar algumas. E é esta amplitude do tema que me apaixona e que estou a considerar nesta narrativa, que quero moderna, vibrante e claro, a inspirar-nos a todos para a nossa responsabilidade em todo este projeto que é a nossa vida. Mas há mais. O ageing é uma coisa que me fascina mas não quero abordar apenas os ângulos físicos, emocionais e relacionais, e muito menos dar um tom individualista à reflexão. Quero trazer mais ideias sobre vidas ativas mais extensas, vidas com mais vida, a beleza que é as empresas e as instituições poderem hoje ter 5 gerações in house, com tudo o que isso tem de desafiante mas também de estimulante para os líderes e as equipas, e claro, o impacto sistémico que tudo isto pode ter no desenvolvimento social e económico das nações e na sustentabilidade do planeta, ao adotarmos práticas mais saudáveis, comendo alimentos mais orgânicos e locais ou usando transportes mais físicos ou elétricos e portanto menos poluentes, por exemplo.

Para construir toda esta historia, além de leituras e estudos por estes vários campos, entrevistei médicos, psicólogos, sociólogos, economistas, cientistas, empreendedores tecnológicos, agricultores, desportistas, enfim, uma panóplia de pessoas que gosto e admiro, nacionais e internacionais, que me ajudaram a organizar ideias e sobretudo a trazer matéria interessante para um dialogo amplo e que penso de interesse para todos.

Digamos que no meu caso, esta visão de uma vida longa é algo que está bem próximo. A minha avó Annica morreu com 101 anos, gozou de boa saúde até muito tarde, trabalhou como voluntária nos Hospitais de Lisboa até aos 90 e muitos anos, geria estufas e pomares na sua quinta, vivia bem a vida e de forma saudável. Bebia dois copos de vinho e fumava cinco cigarros por dia – mas não passava disto. Era extremamente disciplinada a comer e muitíssimo ativa e desportista. Tinha boas rotinas, das horas de deitar e acordar às horas do terço, das refeições ou das caminhadas. Além disso, e muito importante, era uma mulher positiva, corajosa e lutadora que construi uma enorme família e vivia rodeada de pessoas de quem gostava e que gostavam muito dela. Havia de facto um propósito, um significado, e conscientemente ou não, havia uma visão e uma atuação por um projeto de vida maior.

Influenciada ou não pelo exemplo da minha avó, é um facto que penso muito na vida com 100 anos. Adoro ler sobre isso, vidas longas em que temos de nos reinventar, criar e viver com intelectualidade, muita fisicalidade e muita emoção. Procuro saber o que está nas minhas mãos para tentar dar o melhor a mim e aos outros. O diálogo da saúde importa-me, interessa-me francamente. Aquele pensamento avançado em que as pessoas fazem parte da sua equação da saúde, em que os médicos vão além do território do diagnóstico e do tratamento e se tornam em verdadeiros conselheiros e formadores dos seus pacientes. Quando vamos das ciências às humanidades, por uma saúde mais viva e plena. Tudo isto é absolutamente fascinante. Mesmo.

É então altura de partilhar algumas ideias que fui recolhendo dos estudos, das conversas e entrevistas que fiz para este artigo. Mas antes é importante dizer também que há inúmeras dimensões de interesse nesta matéria e seria impossível trazê-las todas a esta narrativa. Assim, mais do que um texto organizado, com uma estrutura clássica ou um fio condutor óbvio, o que procurei aqui foi criar um alinhamento de pequenas histórias com factos, curiosidades e pistas de interesse para alguém que gosta de saúde, bem-estar e a perspetiva de uma vida longa. Alerto ainda que o texto é extenso mas acho que vale a pena. Estamos no Verão!

E começo pela consciência. A consciência e a motivação das pessoas para práticas e rotinas saudáveis. E falo com António Damasio, neurocientista, que nos diz que motivar as pessoas a fazer o melhor pela sua saúde é um desafio eterno. Neste sentido, talvez a questão mais importante seja educar as pessoas sobre o fato de que uma vida saudável não se resume tanto ao tratamento de doenças, mas a preveni-las em primeiro lugar. A questão crítica aqui, além de tornar o conhecimento disponível, e de forma clara e convincente para todos – e isto merece demonstrar consequências positivas com fatos, e não com meras promessas – pode passar por criar um sistema de incentivos positivo que acelere a integração desse conhecimento e a colocação do mesmo em ação. Benefícios e recompensas por qualquer ação que se deva tomar em termos de exercício, dieta ou suplementos, pode ser um estímulo positivo, um acelerador. E Antonio Damasio vai mais além ao dizer-me que nada realmente funciona sem uma combinação de recompensas e punições. É claro que prefere recompensas a punições, mas ao mesmo tempo, diz, não podemos ser brandos quando estamos a lidar com erros ou comportamentos que causam doenças e que poderiam claramente ser evitados.

Minnie Freudhental, médica internista, reforça que todo o paradigma da saúde tem de mudar, desde os hospitais aos seguros, pois hoje temos tudo muito focado na grande intervenção e na grande doença. Ou seja, devíamos investir mais no médico de família, para que tenha mais tempo com cada pessoa, para que explore vivamente o tell me more com cada paciente, e também na escola, numa educação positiva da saúde, numa lógica mais pedagógica e menos tutorial, digamos, que ajude crianças e jovens a ganharem todo um gosto e interesse pela sua saúde e energia. Energia é aliás uma boa palavra para ir levando a saúde aos jovens.

Minnie apela muito ao tempo que o médico deve ter para a pessoa como um todo e refere que o investimento na saúde começa exatamente na gravidez na medida em que a nossa estrutura mental é transmitida de geração em geração e só informando e dando a conhecer toda a maneira como a nossa mente se estrutura durante a gravidez, que é normalmente um período de abertura e de esperança, é que os médicos podem apoiar os pais e até detetar casais em risco e assim também ajudá-los a promover arquiteturas mentais que sejam mais favoráveis à próxima geração.

Relativamente à mudança de hábitos, nomeadamente na alimentação, Minnie Freudhental tem algumas dicas importantes. Em linhas gerais, todos começamos a ter uma boa noção do que é bom ou não para a nossa saúde. A informação é amplamente divulgada, as marcas e as cadeias de distribuição vão assumindo uma responsabilidade crescente na colocação de produtos saudáveis e os consumidores cada vez mais procuram um melhor equilíbrio. Mesmo assim, é tudo um desafio – um caminho repleto de distrações e tentações, e aqui Minnie partilha dois conceitos que ajudam. O dropping the shoot – ou seja, não estar sempre a dizer ‘eu devia estar a fazer isto’ mas ir jogando num bom equilíbrio com ‘eu agora quero fazer isto’, com a devida consciência, claro. E neste seguimento, temos também o taking the pressure off, ou seja, a mudança de hábitos não pode consumir totalmente a nossa energia pelo que de vez em quando devemos dar a nós próprios uns períodos curtos de relaxe, sabendo sempre que temos de voltar à rotina das coisas que nos fazem bem.

Outro aspeto importantíssimo é pensar com clareza porque é que resistimos a tratarmo-nos bem. Às vezes chegamos lá sozinhos, outras vezes precisamos de ajuda de alguém pois podemos estar num processo duro de auto critica, de não gostarmos de nós próprios, e de facto entender a raiz da razão porque não tomamos conta de nós próprios é um passo essencial.

Mais um ponto fundamental é este de ter a perspetiva de que muitas vezes fazemos tudo pelos outros mas achamos um bocadinho egoísta estarmos a tratar de nós. Ora, é exatamente o contrário! Se quisermos estudar um pouco sistemas, sabemos que cada um de nós é de facto um agente ativo no sistema e é responsável pela sua manutenção, digamos. Não é egoísmo. É querer estar bem para também contribuir bem.

Por fim, Minnie fala-nos do desafio enormíssimo que é tomar conta do cérebro e da mente. E é em novos que temos de ler, estudar e pôr em prática exercícios e técnicas a favor da saúde do cérebro. Minnie diz que além do movimento, e de se ter uma boa músculo-esquelética e uma boa nutrição, nós sabemos hoje em dia que o sistema nervoso, o sistema imune e o sistema hormonal são um só sistema, e há já muita evidencia que a prática do mindfulness, ajuda em muito a saúde de todo este sistema. Reduz os marcadores de inflamação, melhora as células que nos protegem de infeções, aumenta a atividade da telomerase que protege os nossos cromossomas, tudo isto está muito identificado e aqui, mais uma vez, Minnie defende que este projeto de cuidar do cérebro e da mente tem de começar nas escolas, nas famílias, nas empresas, num diálogo verdadeiramente transversal, para que as pessoas estejam em clima positivo de saúde e crescimento.

Nesta senda de consciência e transformação, vale a pena conhecer Atul Gawande, médico-cirurgião, escritor e investigador nas áreas de saúde pública. Gawande publicou um artigo fabuloso no The New Yorker, em 2017, com o tema The Heroism of Incremental Care (o heroísmo do cuidado incremental), em que exatamente alerta para os vastos recursos aplicados em grandes intervenções e a falta de investimentos que por vezes existe na informação, na prevenção, nos planos de melhorias incrementais, nos cuidados regulares que frequentemente ajudam mais as pessoas, deixando-as mais confiantes e seguras na gestão da sua saúde e na adoção de uma filosofia de prevenção.

Neste seu artigo, Gawande refere que os avanços da medicina a que assistimos ao longo dos últimos séculos foram absolutamente extraordinários mas ao mesmo tempo criou-se uma cultura que por vezes via a doença como um ‘fogo’ e o médico como um ‘salvador’ – um paradigma que por mais extraordinário não pode ser sustentável no sentido em que não faz uma inclusão forte da pessoa na sua própria equação de saúde. Ou seja, a dimensão da prevenção – em que uma boa parte da responsabilidade está no próprio – não era protagonista da ação. Ao não haver uma cultura de prevenção e um estilo de vida saudável, as doenças crónicas tornam-se mais e mais comuns, as pessoas e o sistema não estão preparados para lidar com isso e a saúde individual e coletiva é posta em risco. E então vem a grande questão: não serão os cuidados primários, numa boa parceria com um discurso de prevenção, a disciplina da medicina com mais impacto na sociedade em geral? Neste artigo, Atul Gawande fala de Asaf Bitton, um médico internista com quem trabalha, que defende que os cuidados primários e preventivos são efetivamente os que têm o maior impacto, incluindo menor mortalidade e melhor saúde, sem mencionar os custos médicos mais baixos. Bitton apresenta a Gawande algumas evidências como estudos que demonstram que populações com mais cobertura e apoio de médicos de cuidados primários, médicos de família, apresentam taxas mais baixas de mortalidade geral, mortalidade infantil e mortalidade por condições específicas, como doenças cardíacas.

Estes são apenas alguns dados mas que dão suporte a esta visão da importância das melhorias incrementais por uma saúde mais vigiada, mais participada e vivida numa filosofia de prevenção. E Gawande menciona que há pelo menos quatro dimensões de informação que influenciam a nossa saúde e bem-estar: o nosso sistema interno – exames, análises, testes genéticos ou de tolerâncias, para citar alguns; as nossas condições de vida; a qualidade dos cuidados que recebemos; e os nossos comportamentos – os nossos padrões de sono, exercício, stress, alimentação, atividade sexual, entre outros.

Ao estudarmos estes dados, ficamos mais informados, ganhamos consciência de todas estas dimensões e dinâmicas, e vamo-nos expandindo para um novo saber e estar em saúde. E a esta altura pensamos, mas como vou entender e gerir tudo isto? E viver? E aqui entramos numa das áreas mais fascinantes do nosso tempo – a aliança com a tecnologia – os smartphones, as apps e um sem número de wearables que nos ajudam a monitorizar as mais variadas dimensões ou problemas de saúde, apoiando-nos no processo de nos tornarmos mais atuantes na saúde de prevenção. Cientistas, médicos, tecnólogos e indivíduos, juntos num projeto de mais saúde.

Há milhares de aplicações de saúde e para os mais variados fins – desde a monitorização da tensão, dos diabetes, do peso ou da alimentação à orientação dos treinos desportivos ou de exercícios de mindfulness, mas tenho duas grandes amigas nestas áreas e resolvi entrevistá-las para entender também o angulo de alguém que identifica uma necessidade de saúde ou de uma mais avançada performance humana e cria um projeto de alcance global para dar resposta. As histórias são bem curiosas e as apps delas bem essenciais!

Hélène Guillaume, belga, apaixonada por extremos, tem na bagagem provas como ultra trail de 100 kms ou half ironman, e é nadadora em águas geladas, no meio de várias outras modalidades que pratica com enorme intensidade. É fundadora da WILD.AI – uma app para mulheres amantes e praticantes de desporto. Sim porque segundo Hélène, a maioria das apps existentes são mentech usadas por mulheres e não têm em consideração, em profundidade, o que é ser mulher.

Se por um lado nunca se reviu nos estereótipos de ser mais frágil ou com variações de humor devido às mudanças hormonais, que por sinal acontecem todos os meses, por outro, Hélène é extremamente obcecada com performance e em explorarmos o melhor de nós próprias. Diz que para isso é importante conhecer os ciclos femininos, a forma como o metabolismo funciona e o que processamos melhor em cada fase. Nós metabolizamos carbo-hidratos e gorduras de maneira diferente, dependendo da fase em que estamos no nosso ciclo e se não entendermos e monitorizarmos, podemos ter instabilidades constantes que são totalmente desnecessárias. E isto é apenas um dos aspetos. E quando pergunto, mas a WILD.AI é apenas para mulheres atletas? Hélène responde-me de imediato: ‘se tens um corpo, és uma atleta!’. Uma frase do fundador da Nike e que a WILD.AI adota em pleno para falar da abrangência do seu target – mulheres de todas as idades, etnias e a viver as mais variadas fases da vida. A aplicação é desenhada para apoiar as mulheres a treinar, aumentar e recuperar energia num enorme compromisso de chamar a si a responsabilidade do seu corpo.

Da performance física saltamos para a mente, e numa conversa maravilhosa com Luciana Carvalho Sé, entramos no mundo da MINDCHECK.ME.

Luciana é co-fundadora da MINDCHECK.ME e das suas especialidades podemos falar de comportamento cognitivo & neurotech, XR immersive tech (realidade virtual e realidade aumentada), inovação com propósito, culturas de diversidade e inclusão, construção de comunidades globais, promoção de mentalidades de crescimento. A aplicação desenvolvida pela sua empresa serve para analisar os níveis de stress, ansiedade e depressão, assim como os fatores que poderão estar a contribuir para determinado estado. Uma ferramenta disponível desde Janeiro de 2019, que tem cerca de 10.000 utilizadores por mês, tendo à data feito mais de 125.000 testes em todo o mundo. Dos testes realizados, cerca de 76% revelam níveis extremos ou severos de saúde mental precária, embora aqui também se tenha de considerar o importantíssimo facto de que quem chega a MINDCHECK.ME geralmente está num estado de alguma ansiedade e portanto falamos de um grupo relativamente auto seletivo. Numa abordagem muito holística, o teste da MINDCHECK.ME integra dimensões tão importantes como as emoções, os interesses, a família, as amizades, a carreira, o exercício físico, o sono, a relação com a natureza ou a esperança no futuro.

Segundo a Luciana, antes do COVID19, e pelos dados disponibilizados pelo World Economic Forum, estimava-se que cerca de 450 milhões de pessoas em todo o mundo sofressem com doenças do foro mental, das quais 300 milhões têm mesmo relação com processos de depressão. É também estimado que 14-18% da população mundial sofra de ansiedade. Com o COVID19 estes números poderão ser ainda mais graves.

Quando perguntei à Luciana quais são as áreas de maior preocupação reveladas pelos resultados dos testes, refere que os fatores que mais aparentam estar a condicionar a saúde mental destas pessoas são: a falta de esperança ou a visão de um futuro inseguro; de seguida, aparecem as preocupações materiais; e depois, a falta de exercício ou sono. E daqui retiramos mais uma vez a multidimensionalidade da saúde e as interdependências com os mais variados fatores de desenvolvimento humano, social e económico.

A saúde mental é ainda bastante estigmatizada e as pessoas sentem-se sozinhas neste processo de descoberta, monitorização e pedido de ajuda. A MINDCHECK.ME confere uma primeira consciência e orientação. A este respeito, Luciana diz que um dos aspetos positivos do COVID19 é que todas as pessoas experienciaram de uma forma ou outra algum nível de stress ou ansiedade e o tema passou a ser mais falado por mais gente, o que é muito positivo enquanto passo de desbloqueio social que irá permitir abraçar a causa da saúde mental de forma mais aberta e plena. É claro que muito depende da cultura e da sociedade em que vivemos, mas no geral há uma evolução no entendimento público do problema e um esforço cada vez mais concertado por parte de várias entidades – desde governos às organizações de saúde, escolas e empresas. As empresas têm sido players bastante ativos na promoção da saúde junto dos seus colaboradores, havendo uma preocupação crescente e genuína com o bem-estar individual e coletivo e uma série de apoios disponibilizados nesse sentido. Há igualmente mais discurso publico, mais media, mais influenciadores com vozes bastante ativas a assinar com #mentalhealth e entramos finalmente numa era de maior autenticidade ao invés de fazermos parecer um estado perfeito que é falso. Ao aceitarmos a condição de ser vulnerável, predispomo-nos de facto a mudar e a evoluir. Luciana menciona ainda que a Organização Mundial de Saúde prevê que se a crise da saúde mental não é encarada e combatida com frontalidade, isso irá custar-nos a todos no mundo 16 triliões de dólares em 2025. Neste sentido acredita e espera que, de agora em diante, vejamos líderes mais corajosos e vulneráveis, que reconheçam os meandros do que significa ser humano, e que todos juntos trabalhemos na desestigmatização da saúde mental para que esta seja tratada da mesma forma que tratamos da saúde física – ou seja, algo que implica um cuidado e uma atenção diária.

Bom, e se os contextos que vivemos são desafiantes e nos podem levar a estados severos de fragilidade emocional, é altura de falar do coração. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, estima-se que em 2016 cerca de 31% das mortes no mundo estejam relacionadas com doenças cardiovasculares, 85% destas devido a doença arterial coronária e acidentes vasculares cerebrais. Também sabemos hoje que a maioria das doenças cardiovasculares pode ser prevenida, nomeadamente por se evitarem comportamentos de risco como sejam o consumo de tabaco, álcool, sal, gorduras ou açúcares em excesso, ou ainda a não prática de exercício físico.

Para desconstruir os desafios relacionados com o coração, conversei com Diogo Torres, médico cardiologista, que me ajudou a explorar aqui vários ângulos de interesse aplicados aos dias de hoje e a esta perspetiva de vida longa que tanto me apaixona.

Comecei por perguntar ao Diogo Torres se sendo as doenças cardiovasculares uma das principais causas de morte no mundo, hoje há ou não mais pessoas com problemas do coração do que no passado. Diogo partilha que o que acontece é que hoje a longevidade é maior e muitos dos anos acrescentados às vidas das pessoas são devidos a tratamentos na área cardiovascular. Ou seja, com os avanços da medicina nesta área, estamos a conseguir prolongar muito a vida dos doentes e essencialmente, a vida com qualidade. Mas há mais, hoje também, os doentes estão mais informados dos riscos que correm, estão mais atentos e querem viver mais e melhor.

E como podemos evitar ou reduzir o risco de doenças do coração? Sendo eu uma pessoa saudável, sem antecedentes de doenças cardiovasculares, o que está nas minhas mãos hoje para gerir bem as necessidades da vida e também as do coração? Sem dúvida, hábitos de vida saudável, boa dieta, exercício físico, vigiar os fatores de risco, ter em conta a genética e lidar bem com o stress.

Outra coisa que quis analisar com o Diogo, não só porque tenho um enorme gosto por desporto mas também porque felizmente vemos cada vez mais pessoas a praticarem desporto e a levarem-se mais longe em desafios desportivos, foi exatamente os cuidados que estes atletas não profissionais devem ter. O tema vai bem além das provas de esforço ou de análises regulares. O levar o desporto com mais regularidade ou intensidade, seja para competir ou não, é extraordinário mas requer um olhar mais amplo do nosso corpo. Avaliação física regular, análise do perfil de riscos pessoais, exames cardiovasculares que se possam fazer, são tudo aspetos essenciais a estes milhares de desportistas que existem. Ter um acompanhamento profissional interdisciplinar pode fazer toda a diferença, não só para melhorar a performance, como para estender o tempo de prática de certo desporto a determinado nível, como ainda para detetar riscos ou doenças e atuar em lógica de prevenção.

Promover uma cultura do tipo ‘sou desportista e vigio-me com profissionais de saúde’ é um passo importante para que a atividade desportiva que tão bem se tem expandido no público em geral seja de facto apoiada, de forma organizada e estruturada, com médicos, nutricionistas, fisiologistas de esforço, cardiologistas desportivos, psicólogos e outros profissionais que sejam importantes para uma visão integrada do atleta. Ou seja, haver um sítio, um processo, uma cultura de saúde desportiva junto do grande público de desportistas, pode dar um impulso ainda mais positivo à prática do exercício físico, que por sua vez é tão importante para a saúde do coração e a saúde e bem-estar em geral.

No que respeita à idade de maior risco – entre os 40 e 50 anos, sem dúvida. Umas pessoas sentem-se bem e acham que são eternamente jovens, outras querem-se desafiar e são irregulares na prática, cometendo erros como não treinar e depois nas férias quererem propor-se a grandes maratonas. Há aqui acidentes que podem ser evitados. As pessoas devem ser acompanhadas e, claro, devem ter noção que tem de haver ponderação para tudo. Quanto a sinais que não devemos ignorar, embora já sejam do conhecimento geral, volto a referi-los neste artigo dada a importância da saúde do coração e a gravidade do número de mortes associado a doenças cardiovasculares. As pessoas não devem ignorar: dores no peito, palpitações, cansaço enorme além do habitual, cansaço que se agrava e claro, um quadro súbito que pode ir da dor no peito à alteração na fala ou a uma dor intensa num membro. Mas é claro que deve haver vigia, que devemos fazer consultas de rotina e irmos monitorizando a máquina pois infelizmente a razão mais frequente que leva as pessoas ao médico cardiologista está relacionada com um acidente cardiovascular de alguém muito próximo – aí toda a gente vai ao médico do coração.

Depois da saúde do coração, há outra dimensão da saúde que me parece estar bastante nas nossas mãos e que é a saúde oral. Sim, essa tão importante visita regular ao dentista é muito mais fundamental do que pensamos! Vamos lá. Para explorar a importância da saúde oral, falei com Miguel Stanley, médico dentista há mais de 20 anos. Quando lhe perguntei, para arranque de conversa, porque é que a saúde oral é tão importante para a saúde geral, o Miguel reage e diz-me: ‘o facto de em pleno século XXI ainda fazermos esta pergunta é chocante mas percebo perfeitamente porque é que ela existe e estamos cá para desconstruir e tornar todas as pessoas mais informadas’. Miguel diz que talvez a forma mais interessante de visualizar a importância da saúde oral seja com um conjunto de perguntas: Qual a diferença entre um quisto no pulmão ou um quisto no maxilar? Qual o impacto de não ter dentição na capacidade digestiva e quais as complicações a longo prazo por não se mastigar corretamente? Quais os impactos no sistema imunitário de uma pessoa com múltiplas cáries dentárias e gengivas infetadas? Quais os impactos na postura e equilíbrio numa pessoa que tem falta de dentes? Qual o impacto na autoestima de uma pessoa que não consegue sorrir? Como é que a falta de saúde ou estética oral impacta a inserção social de um adolescente? Todas estas perguntas têm respostas bastante simples. E o facto é que é grande o impacto negativo – não só a nível físico, mas a nível imunitário e também emocional – que a saúde oral precária tem numa pessoa.

Miguel faz referência a uns estudos recentes da Universidade de Cambridge, do departamento de Psiquiatria do prestigiado Professor Edward Bullmore, que mostram a correlação absoluta entre doenças do foro psiquiátrico, tais como, depressão, demência, e muitas mais, e a inflamação crónica no organismo. Ora, o que é que a gengivite, doença periodontal, os quistos maxilares são a não ser inflamação crónica de origem bacteriana? Portanto é um facto que a falta de saúde oral tem mais implicações na saúde e bem-estar geral do que a maior parte das pessoas consegue imaginar.

A boca é realmente um centro fulcral com grande impacto na saúde geral, as visitas regulares ao dentista são fundamentais e a qualidade das mesmas também. Miguel é absolutamente adepto das mais avançadas tecnologias – e o seu consultório dispõe de equipamentos e procedimentos de vanguarda, quer para diagnóstico, quer para tratamento e acompanhamento; e também de filosofias e práticas tão importantes como o Slow Dentistry – no sentido de haver todo o tempo do mundo para cada doente e cada tratamento, e o Bio Dentistry – para uma incorporação progressiva de princípios holísticos e integrativos que consideram que todos os dentes estão conectados ao resto do corpo, nomeadamente ao cérebro, e por conseguinte todos os materiais com toxicidade devem ser evitados nos tratamentos ao mesmo tempo que se pretendem efetuar mais tratamentos que de certa forma estimulam o sistema imunitário e os conceitos neuropáticos além de simplesmente restaurar o conceito mecânico da boca.

Outra rota que decidi explorar para este artigo foi exatamente a dos alimentos e aqui juntei-me a Robyn Metcalfe, professora e investigadora da história dos alimentos e do futuro dos alimentos, da College of Natural Sciences of The University of Texas, em Austin. É autora do livro Food Routes – Growing Bananas in Iceland and Other Tales from the Logistics of Eating, está agora a escrever um novo livro chamado Humans in Our Food. É também diretora do projeto Food+City que vale a pena explorar e conhecer melhor.

Robyn é uma mulher fascinante e adorável com quem fiz uma viagem no ano passado por montanhas de Itália. Tem 72 anos e além das paixões profissionais, adora viver e propor-se a grandes desafios. É uma super atleta, tendo completado ultramaratonas em sete desertos do mundo, em regime de autossuficiência. Ainda em Agosto de 2019 correu numa prova transalpina de três dias e o objetivo é não parar. Ao longo dos últimos 5 meses, continua a fazer grandes treinos de endurance, participa em corridas virtuais e não vê a hora de as restrições de trafego aéreo acabarem para poder fazer mais provas por esse mundo fora. Detesta quando as pessoas lhe perguntam ‘mas ainda faz isto?’ e só lhe apetece responder ‘e porque não?`. Os estereótipos que se criam em torno da idade são, chega a dizer, discriminatórios. Ainda agora o facto de no âmbito da pandemia ter sido catalogada no grupo vulnerável, e por isso estar interdita de determinadas atividades, é algo que a deixa em nervos. Está ativa e bem ativa, física e intelectualmente. Diz mesmo que as pessoas apelidadas de ‘mais velhas’ conseguem fazer muito mais do que os profissionais de saúde muitas vezes recomendam e que precisamos urgente de mudar a narrativa. Provoca e coloca a questão: ‘não achas que há mais pessoas que prefeririam morrer no topo de uma montanha do que numa cama de hospital?’ E aqui penso para mim que eu certamente que sim. No ano passado a Robyn desafiou-me inclusive para a criação de um novo léxico pois há palavras que não cabem mais nas vidas longas e há outras que não foram ainda criadas e são urgentes para exprimir novos estados de saúde e energia. Na entrevista que lhe fiz para este artigo volta a falar no novo vocabulário. Arrojemos então. Na vida e nas palavras.

Na nossa viagem do ano passado perguntei à Robyn qual o seu segredo em termos de dieta, ao que me responde prontamente: comer menos. As pessoas comem mais do que precisam, muito mais. É desnecessário, tira energia, não é útil nem bom para nada.

Quanto ao tema dos alimentos, hoje, mais do que nunca, e depois do que assistimos no âmbito da pandemia, aderir à produção local tem benefícios evidentes. Para as pessoas e o planeta. Os alimentos produzidos localmente são não só mais naturais e apropriados à época como menos sujeitos a transportes e logísticas pesadas. O desafio é muito do foro económico – conseguir que a produção local tenha preços tão competitivos como a produção feita em escala. Devemos encontrar formas de permitir às pessoas uma maior adoção de produtos locais como um importante complemento aos produtos globais.

Ainda nesta senda de planeta, quando lhe perguntei o que achava de food based technology, como plant based meat e outras, Robyn diz que são tudo tecnologias importantes que podemos usar como complemento dos métodos agrícolas tradicionais. Diz que não há uma fonte única que possa resolver os problemas do planeta e que será necessário uma multitude de fontes. Se nos orientarmos para sistemas de produção pensados para evitar o desperdício, usar menos água e ser mais resilientes, então estaremos em melhor forma para criar um melhor sistema de produção alimentar para a era pós-pandemia. E devemos estar atentos aos sistemas de produção alimentar e à evolução das rotas dos alimentos pois efetivamente a origem e a qualidade dos produtos que pomos no prato são cruciais à nossa saúde.

E vou seguindo para desta vez chegar a Maye Musk – aquela que é considerada a mãe das invenções (é mãe de Elon Musk, da Tesla e da Spacex, de Kimbal Musk, da Real Food Companies e de Tosca Musk, realizadora de cinema) e também um referencial moderno de um bom envelhecimento ativo. Com a mesma idade de Robyn, 72 anos, esta nutricionista e modelo, que já sofreu graves problemas de peso ela própria, está hoje melhor do que nunca, segundo ela. Continua a trabalhar de forma muito dinâmica e este ano lançou um livro bem interessante chamado A Woman Makes a Plan – advice for a lifetime of adventure, beauty and success – livro este que dei de presente a todas as pessoas da minha equipa no dia em que fomos para casa de quarentena. Neste livro, Maye partilha algumas experiencias e ideias giras e úteis. Com uma carreira que vingou a custo de muito trabalho e suor, Maye diz que quanto mais se trabalha, mais sorte se tem. No que respeita a família, temos de deixar que as pessoas que mais amamos – os nossos filhos – sigam o seu próprio caminho e temos de apoiá-los nisso. Na saúde, não há uma pilula mágica mas uma monitorização constante é essencial. Em relação à aventura, Maye recomenda vivamente que haja sempre espaço para a descoberta e que estejamos sempre prontos para qualquer coisa nova. É bom. Diz que não podemos controlar tudo o que acontece na vida, mas podemos ter a vida que desejamos em qualquer idade. Tudo o que precisamos fazer é um plano para essa realidade desejada.

E fecho esta peça editorial de hoje com o angulo que usei para a abrir – a amplitude e a multidimensionalidade do plano que um projeto de vida longa requer. E comigo, Lynda Gratton – co-autora dos livros The 100 year life, publicado em 2016, e de The New Long Life, de 2020. Lynda foi também a pessoa com quem trabalhámos nas duas conferências sobre a vida com 100 anos que mencionei no início. Professora de Gestão na London Business School, Lynda tem sido sempre uma apaixonada pelas novas formas de viver, as que se adaptam aos tempos e momentos das nossas vidas, as que lideram a evolução das sociedades, dos negócios e das organizações. No seu livro sobre a vida com 100 anos, Lynda desconstruiu o paradigma da vida vista em três atos – educação, trabalho e reforma – levando-nos para outra dimensão, uma vida mais longa, de continuidade em que devemos ter uma perspetiva de maior encadeamento e sobreposição de todos os atos, ou seja, não há fronteiras, há uma história longa que se começa a contar cedo em várias dimensões que se interligam. E se convergirmos para o ponto de não nos reformarmos, tanto melhor, é sinal de vida, de pensamento e ação. O que é que isto implica? Que no fundo as pessoas tenham uma boa rede de relações humanas, vários interesses e fontes de rendimento ao longo da vida, que tenham uma vida com várias vidas – e se eu por exemplo sou médica, gestora ou jornalista, é bom ter outras atividades, dentro da minha área principal ou outras, que me permitam estar em ação ao longo de várias idades e fases da vida. Isto leva-nos a não parar física, emocional e intelectualmente. Ou seja, o aumento da longevidade humana implica que cada pessoa repense a sua saúde, educação, carreira, finanças e relações humanas para que consiga viver 100 anos em plenitude. Este desafio aplica-se também às organizações e à sociedade em geral na medida em que há toda uma nova dinâmica de agentes ativos, por mais tempo e com saúde.

No seu mais recente livro The New Long Life, Lynda Gratton e Andrew J. Scott, co-autor em ambos os livros, vão mais longe entrando pelos territórios da psicologia de forma ainda mais profunda. E isto porquê? Porque embora vivamos numa era repleta de tecnologias positivas, vidas mais longas e saudáveis, o que acontece também é que o progresso humano chegou a níveis que embora extraordinários provocam enorme ansiedade sobre para onde caminhamos. O que há de fascinante, há de exigência e isso causa perturbações no agente principal – o ser humano. Estarão os nossos empregos sob ameaça? Se vivermos 100 anos, vamos alguma vez parar de trabalhar? Qual o novo conceito de trabalho? E como é que tudo isto vai alterar a forma como amamos, gerimos e aprendemos?

Uma coisa é clara: os avanços tecnológicos não foram acompanhados pela inovação das estruturas sociais. Vivemos numa era de mudanças sem precedentes e ainda não descobrimos as novas formas de viver, referem os autores. Este último livro pretende ser exatamente um guia de apoio à construção dessa vida mais longa, sustentável e feliz.

Na entrevista que fiz para este artigo, perguntei o que trouxe esta pandemia às nossas vidas e Lynda responde prontamente: um novo entendimento sobre a importância da resiliência. E no centro dessa resiliência, não tenhamos uma dúvida: está a saúde. A boa notícia é que nunca é tarde para trabalharmos sobre isto – em qualquer idade podemos começar a ter uma dieta mais saudável ou a fazer mais exercício e os resultados aparecem em semanas! Em termos de trabalho, o facto de ter havido este confinamento global e termos sido obrigados a trabalhar remotamente veio finalmente incluir este modelo de trabalho como algo que funciona. Ao vivermos mais anos, podermos trabalhar remotamente, e portanto de forma mais resiliente e comoda para todos, é um grande passo a favor da inclusão. Aliás um cuidado para o qual Lynda alerta é exatamente não estereotipar as pessoas com base na idade ou geração. Uma pessoa de 30 não tem de ser igual a todos da sua geração, o mesmo com uma de 50 ou 80. Aliás uma recomendação que faz às organizações é encorajar tanto quanto possível a intergeracionalidade das equipas – é mesmo importante para a diversidade de pensamento, o vigor das mentes e dos corpos!

A este respeito, numa entrevista recente de Lynda Gratton e Andrew J. Scott ao Financial Times, os autores referem que governos, empregadores e pessoas com mais de 65 anos estão a ser chamados a agir. Os governos, por exemplo, precisam de ajudar a reformular a educação, tornando-a num processo a ser explorado ao longo de toda a vida, em vez de algo que as pessoas fazem apenas na adolescência e no início dos seus 20 anos. Os empregadores precisam de entender o valor dos colaboradores mais velhos. Os autores criticam ainda os estereótipos que rotulam gerações como baby boomers, millennials e assim por diante, apontando para pesquisas que mostram que, embora algumas capacidades mentais possam diminuir com a idade, os colaboradores mais velhos costumam demonstrar uma inteligência ‘cristalizada’ que é um aspeto bastante positivo para a organização e o negócio pois representa ‘as informações, conhecimentos, sabedoria e estratégias que são acumuladas ao longo do tempo’.

Ainda na entrevista ao Financial Times, Lynda e Andrew referem aqui os desafios de dois lados importantes em todo este fenómeno de vidas mais longas. O que é exigido aos empregadores é bem conhecido, mas raramente adotado: modelos de trabalho mais flexíveis para colaboradores mais velhos, como projetos de consultoria e semanas de trabalho reduzidas com salários adequados, claro.

Mas as pessoas mais velhas também precisam repensar as suas vidas: investindo na educação contínua, pensando no trabalho que poderiam fazer de seguida e mantendo contato com os mais jovens. A vida multigeracional ajuda as pessoas mais velhas a aprender novos truques e novas maneiras de viver melhor.

Quanto às implicações de vidas ativas mais longas para a economia, estas são evidentes, muito porque os estilos de vida são também mais saudáveis e claro, porque há um enriquecimento individual e coletivo da sociedade.

Quando pedi a Lynda três dicas para que estejamos todos mais preparados para construir um futuro melhor, ela é pronta na resposta:

– Investir verdadeiramente num estilo de vida saudável – isto é completamente central à construção da resiliência que por sua vez é o que nos permite estar preparado para enfrentar tudo o que nos acontece na vida;

– Estar preparado para aprender e explorar coisas novas ao longo de toda a vida – ou seja, mantermo-nos curiosos sobre tudo o que acontece no mundo e querermos aprender mais e mais é um ótimo princípio;

– Esquecer a nossa idade cronológica – sim, é fundamental não nos deixarmos estereotipar a nós e aos outros sobre o que é que é apropriado para uma determinada idade.

E como vai ser aos 100 anos? Não sei. Mas farei o que puder para lá chegar o melhor possível. A perspetiva de uma vida longa encanta-me, dá-me imaginação e tempo para viver uma vida cheia de vida e a dar o melhor de mim.

Carlota Ribeiro Ferreira, Fundadora e CEO da WIN WORLD

Leia o artigo original aqui.

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