Investir, mas nas pessoas!

Tive recentemente uma conversa muito interessante com um amigo meu que investe muito no ramo imobiliário em todo o mundo e gostava de partilhar algumas reflexões que tenho feito sobre esse assunto.

Discutimos sobre o conceito de propriedade e a questão para mim é essencialmente esta: uma coisa é termos a nossa própria casa e construirmos um lar onde sentimos segurança e conforto, onde sabemos que nada vai faltar à  nossa família; outra coisa será olhar a propriedade puramente como um investimento. Será que esse é realmente o melhor tipo de investimento que podemos fazer para o futuro?

Nas viagens que tenho feito um pouco por todo o mundo tenho reparado que, ao contrário do que acontece em Portugal nas zonas urbanas, a construçào continua muito forte, sobretudo em zonas turísticas e paradisíacas. Vejo grandes massas de betão e cimento transformarem-se em grandes hotéis e resorts, vejo recursos ameaçados a serem relocalizados para estas construções, para se transformarem em deleite e entretenimento.

Mas se formos ao Algarve em Portugal, ao sul de Espanha, à  costa do Brasil ou à s Caraíbas, por exemplo, em época baixa, vemos que estes destinos estão vazios durante a maior parte do ano. Por isso mesmo, os preços são altíssimos. E então eu pergunto-me: todo esse dinheiro que é usado para construir espaços que estão vazios durante o ano não deveria ser antes utilizado noutras coisas? Para um investidor não seria mais interessante aplicar recursos na educação, em think tanks e investir nas pessoas? Todo esse dinheiro que estão a ser investido em espaços novos que as pessoas não vào usar, poderia ser utilizado em coisas que as pessoas realmente vào utilizar!

De alguma forma acho que algo estão a mudar neste sentido. Cada vez mais percebemos que a propriedade intelectual é tão valiosa e impulsionadora como a propriedade física. Ainda assim, eu acredito que é preciso mudar a nossa forma de ver o conceito de propriedade para que haja uma verdadeira mudança de paradigma. Mesmo não sendo propriamente expert em finanças, a meu ver vale muito mais a pena investir nas pessoas e no potencial que as pessoas encerram em si mesmas, do que em coisas que não têm uma aplicação prática ou influência sobre a vida das pessoas, sobre o mundo.

 

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